Segurança contra incêndio – Instalações Hidrossanitárias

O ser humano inseriu nas práticas humanas a muito tempo o fogo, seja para aquecer alimentos, objetos e ambientes, iluminar locais ou ate mesmo para incinerar resíduos e objetos. Porém um desafio foi deixado: combater o fogo.

Apesar de existir normas e órgãos fiscalizadores, os incêndios continuam acontecendo no Brasil, muita das vezes pela falta de um projeto adequado, ou até mesmo falta de fiscalização.

Classes de Incêndios

Existe quatro classes de incêndios, estabelecidas de acordo com o tipo de material queimado pela norma regulamentadora nº 23 do ministério do trabalho.

  • Classe A: causado por materiais de fácil combustão, que deixam brasa e resíduos (papel, madeira, tecidos, etc.)
  • Classe B: causado por materiais que queimam em sua superfície e não deixam resíduos (óleos minerais, gasolina, solventes, etc.).
  • Classe C: é o fogo que ocorre em equipamentos elétricos (motores, geradores, transformadores, etc.).
  • Classe D: é o incêndio em elementos pirofóricos e suas ligas (alumínio, potássio, magnésio, titânio, etc.); inflamam em contato com ar ou produzem explosões.

Normas e leis vigentes: normas ABNT

Essas normas buscam um cenário em que os acidentes e incêndios sejam minimizados, garantindo o desempenho da edificação.

Os objetivos principais de uma estrutura com resistência mínima ao fogo são: possibilitar a saída dos ocupantes; garantir condições razoáveis para o emprego do socorro público; evitar ou minimizar danos à edificação, às outras adjacentes e à infraestrutura pública.

ABNT NBR 15575-1

A ABNT NBR 15575-1 mostra que requisitos relativos à segurança contra incêndios devem se pautar em: proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco, em caso de incêndio; dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao ambiente e patrimônio; proporcionar meios de controle e extinção do incêndio; e dar condições de acesso às operações do Corpo de Bombeiros.

ABNT NBR 14432

A norma ABNT NBR 14432 traz as principais definições, simbologias e critérios para uma estrutura ser considerada resistente ao fogo. Sempre que um projeto técnico de engenharia ou arquitetura for realizado ou revisado, é essencial a utilização da ABNT NBR 14432 como base de todo o processo.

ABNT NBR 14323

No caso das estruturas de aço, a norma ABNT NBR 14323 orienta que para ser resistente a incêndios os aspectos seguintes devem possuir uma correta abordagem: resistência ao escoamento e módulo de elasticidade do aço com fatores de redução em função da temperatura; verificações da estrutura em incêndio nas combinações de carregamento; elementos de aço comprimidos, tracionados e submetidos a momento fletor; e influência no comprimento de flambagem das peças devido a altas temperaturas.

ABNT NBR 15200

Para o concreto, a ABNT NBR 15200 –Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio (ABNT, 2012) também tem por base uma correlação entre o comportamento dos materiais e da estrutura à temperatura ambiente (considerada próxima a 20 °C) e o que ocorre em situação de incêndio.
Os pontos que devem possuir uma abordagem correta são: resistência característica do concreto com fator de redução em função da temperatura; resistência ao escoamento e módulo de elasticidade do aço com fatores de redução em função da temperatura (concreto armado e protendido); verificações da estrutura em incêndio nas combinações de carregamento; e alteração geométrica de vigas, lajes e pilares em função de cobrimentos e armaduras.

ABNT NBR 13714/2000

Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio; cálculo de reservatórios e bombas.

NBR 14432/2001

Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações – procedimento; classificação das edificações.

NBR 11742/2003

Porta corta-fogo para saída de emergência.

NBR 13434(1-2)/2004

Sinalização de segurança contra incêndio e pânico.

Engenheiros e Arquitetos

Na Lei Federal nº 13425 Art. 8º, afirma-se que os engenheiros civis e arquitetos devem ter conhecimento de medidas de prevenção e combate a incêndios e ser capazes de produzir projetos adequados à situação, sendo fiscalizados pelo órgão público. A lei em questão menciona em seu Art. 4º que o processo de aprovação do projeto e da edificação deve seguir a legislação estadual.

Classificação das edificações contra incêndio

O Decreto Estadual n° 62.416, de 10 de janeiro de 2017, do estado de São Paulo, dispõe sobre as medidas de segurança contra incêndios nas edificações e áreas de risco, classificando as edificações em três aspectos:

  • Tipos de ocupação: Residencial, comercial, industrial, etc;
  • Altura e limitação da área: quanto maior a altura e a área, maior a dificuldade de saída das pessoas e o acesso de equipes de resgate em incêndios;
  • Carga de incêndio: soma das energias caloríficas que poderiam ser liberadas pela combustão completa de todos os materiais combustíveis em um espaço, até os revestimentos das paredes divisórias, pisos e tetos – NBR 14432 (ABNT, 2001);

O Decreto Estadual n° 62.416, disponível para acesso na internet, traz tabelas e orientações para que engenheiros e arquitetos possam prever como deve ser o sistema de segurança de sua edificação.

Reserva de incêndio

A reserva de incêndio pode estar localizada em reservatório elevado ou ao nível do solo (enterrados ou semienterrados).

Reservatório elevado:

Quando o abastecimento é feito pela ação da gravidade. Os reservatórios elevados devem estar em altura suficiente para fornecer as vazões e pressões mínimas requeridas para cada sistema. Caso as vazões e pressões não sejam atendidas, utilize uma bomba de reforço. De forma prática, no Brasil são toleradas pressões nas caixas de incêndio na ordem de 10 m de coluna de água (Creder, 2006).

Nível do solo:

O abastecimento dos sistemas de hidrantes ou mangotinhos deve ser efetuado por meio de bombas fixas de acionamento automático.

Dimensionamento da reserva técnica de incêndio

NBR 13714 (ABNT, 2000) orienta o cálculo da reserva de incêndio, que depende do tipo de ocupação da edificação e do instrumento utilizado para o primeiro combate ao fogo.

O volume necessário para reserva é dado por: V = Q x t.

Em que:

  • V é o volume da reserva.
  • Q é a vazão de duas saídas do sistema aplicado, conforme a Tabela 1 da norma, em litros por minuto.
  • t é o tempo de 60 minutos, para sistemas tipo 1 e 2, e de 30 minutos, para sistema tipo 3

Conclusão

E ai gostou desta postagem ? Que tal deixar sua opinião ou dúvida nos comentários, iremos responder assim que possivel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *